O atual Presidente da República Portuguesa, o Prof. Cavaco Silva, deve andar a "esfregar as mãos" de contentamento com o recém chegado às lides políticas, o Presidente da Ami, Fernando Nobre.
E digo isto porque, o seu aparecimento irá fragilizar a esquerda ainda mais, logo numa altura em que a candidatura de Manuel Alegre aparecia como a potencial vencedora num embate entre os dois. ( Cavaco Silva -Manuel Alegre).
Como habitual a esquerda se uniria toda à volta do mesmo candidato, logo Manuel Alegre teria uma grande vantagem. Depois porque o resultado obtido nas últimas eleições presidenciais lhe atribuíram uma responsabilidade que ele nunca poderia descartar e sendo assim seria à partida um potencial candidato a novas eleições independentemente do apoio que o seu partido de filiação lhe atribuisse.
Mas agora com o aparecimento da candidatura de Fernado Nobre e com o suposto apoio de Mario Soares, Manuel Alegre poderá perder alguns dos seus supostos apoiantes em detrimento de Fernado Nobre. Homem pouco habituado a estas andanças, mas alguém em quem é reconhecida uma força enorme pela luta pela melhoria das condições sociais humanas, algo que num presidente de um país é sempre necessário e de ressalvar, e como é um outsider, logo mais populista será a sua candidatura, uma vez que a grande maioria dos portugueses está cansada dos políticos e candidatos tradicionais e sente que necessita de caras novas, fora das confusões habituais. E aí Fernando Nobre tem um enorme trunfo, a AMI é uma ONG reconhecida e respeitada no mundo inteiro e que nada tem a haver com a partidarice.
O problema é que esta candidatura irá divir a esquerda, num país em que muito facilmente ela pode eleger um presidente.
Em todas as eleições desde o 25 de Abril de 1974 ( excetuando a atual presidência) tivemos o exemplo em como isso é possível. E apenas na última eleição um presidente da area da direita foi eleito, em consequência da dupla candidatura esquerdista, que dividiu o seu habitual eleitorado.
Por isso afirmo que o Prof. Cavaco Silva, deve "andar a esfregar as mãos" de contentamento, porque é lhe fácil agurar uma nova reeleição.
Falta agora é a resposta do eleitorado nas urnas e com a reflexão que os habituais abstencionistas e os duvidosos possam ter em relação aos candidatos na corrida à "cadeira de Belém"...
Mas até lá muita água correrá... por esse Tejo abaixo...