terça-feira, 6 de maio de 2008

CRISE NO FUTEBOL PORTUGUÊS...

Para além do malfadado Apito Dourado e de outros assuntos tais que envolvem a credibilidade desportiva no futebol nacional, deparamo-nos ano atrás de ano para o problema dos salários em atraso que os profissionais de futebol vão sofrendo ao longo da sua carreira desportiva.
Nem todos são Ronaldos, Figos ou Rui Costas, que ganham ( e é bem merecido o seu elevado salário, tais as habilidades com que nos deleitam e nos fazem sonhar...) bastante acima do panorama nacional.
Muitos são os que auferem perto de 2500 euros mensais em clubes da 1ª Liga, logo numa carreira profissional já de si bastante curta.
Muitos não foram longe nos estudos em prole duma "causa maior" e no fim da sua carreira, ainda jovens, porque muitos( os que podem!) se "reformam" com 36, 37 anos; pouco têm com que se governar.

Conheço infelizmente casos de jogadores que foram grandes no seu tempo e hoje em dia são revendedores de produtos de beleza, empregados de cafés e mesmo operários de construção civil. Quase inacreditável, não?!
Mas é a nossa realidade, e o que passa nas TVs é só a parte fulgurante e glamorosa do futebol onde despontam Beckhams e & Cia.
Quase nunca se fala da vida dos jogadores dos clubes ditos menores, que vivem das quotas e dos patrocínios que vão arranjado para subsistirem.
E este prológo todo para criticar a forma como um clube como o Boavista e os seus restantes pares que não cumprem com as suas obrigações.
Pois é triste alguém chegar ao fim do mês e receber um "envelope em branco" para alimentar a sua familia e pagar as suas contas mensais, por muito bem que seja remunerado. Se trabalha deve receber!
Mas critico também a Federação e a Liga por deixar que estes casos vão acontecendo e não fosse o Sindicato dos Profissionais de Futebol e as familias dos jogadores a apoiá-los, pouco ou nada se sabia dessas situações.
Deveria ser criada legislação a proibir tal acontecimento ( até para a generalidade dos trabalhadores em Portugal!) e quem não respeitasse fosse punido de forma exemplar para que não subsistissem dúvidas quanto à aplicação dessa legislação.
Se eram pontos perdidos, suspensão de inscrição de jogadores ou até descida de divisão; algo devia ser feito. e discutido nas esferas respectivas.

Mas a minha opinião também passa por regular o montante salarial e faço as seguintes reflexões :
Que fosse criada uma liga com 10, 15 ou 20 equipas que tivessem um projecto ambicioso e estável , que depois de auditadas as suas contas se estabelecessem como principais e as restantes competiríam nos habituais campeonatos menores.

Fosse criado um salário geral para todos os jogadores, fosse 3000€ ou 4000€ e o restante obtido por prémios de jogo. Sendo desta forma, a prevalência de contratos por objectivos a melhor maneira de instaurar a competividade e a credibilidade no futebol.

O valor de tais montantes, seriam geridos pelas próprias equipas de modo a incentivar os jogadores e sería mais fácil gerirem também as suas receitas e poderem ter orçamentos gerais mais adequados aos seus projectos.
Como é obvio, as equipas grandes continuaríam a sê-lo e serviriam de paradigma e estímulo para as outras, que deveríam tentar chegar ao nível daquelas e não o contrário, que é o que se vai assistindo hoje em dia.

E que a venda dos jogadores, para além de ser uma forma de financiamento para os clubes, o fosse também para o jogador.

E mais ideias poderia aqui debater, mas o geral ficou esplanado.
Sejam boas ou más ideias, no fundo o que importa é que se discuta o mal que se vai passando no nosso futebol, que tanto nos tem afastado dos estádios...

Pois não é (somente) o preço dos bilhetes que nos afasta...

7 comentários:

R. da Cunha disse...

Boas dicas para reflexão dos entendidos, que não eu, embora goste de um joguinho de futebol bem jogado.

Tiago R Cardoso disse...

As coisas são simples, só participava quem tivesse em situação regular, quem não tem unhas não toca viola, como diz o povo.

NuNo_R disse...

bOAS R.DA CUNHA...

Se for como o meu Amigo afirma, "bem jogado", eu tb gosto.
Mas isso é coisa que nos últimos tempos não tenho visto.
Somente um clássico SCP-SLB me deslumbrou mais que o "normal"... ;)

abr...prof...

Boas tiago...

Mai nada!!! ;)

abr...prof...

António de Almeida disse...

-Calma amigo, não é necessário regular muito, bastaria que existissem ao longo da época 2 ou 3 momentos em que a situação era verificada pela federação ou pela liga, por exemplo o fim da 1ª volta, e o final de Março, sendo os clubes em falta punidos pontualmente, bastariam 10 pontos, sem possibilidade de recuperação mesmo após liquidação dos compromissos. No final da época quem não tivesse as contas regularizadas não inscrevia jogadores para a época seguinte. Era ver os clubes a fazerem contratos REAIS, e não prometer mundos e fundos para não cumprirem.

NuNo_R disse...

Boas antónio...

Apenas dei algumas sugestões; mas o que opinas também faz muito sentido.

A questão fundamental é que se termine esta vergonha dos salários em atraso, pois qualquer trabalhador gosta de ser e deve ser ressarcido pelo seu trabalho, independente do montante a receber.

Caberá´às entidades respectivas regular e criar as mediadas necessárias para que isso não aconteça.
Para além de ser vergonhoso é infame tal situação. :(

E se os clubes fossem "OBRIGADOS" a viver com os "pés na terra" e realizarem contratos com os jogadores mais "reais" com as suas economias, nada do que se vê hoje em dia aconteceria.

abr...prof...

Zeus disse...

Bem pensado!!! Mas, acho que não existiam equipas para iniciar a liga...

NuNo_R disse...

talvez, talvez ehehehe

abr...prof...