quinta-feira, 25 de outubro de 2007

CIVISMO, OU A FALTA DELE...

Devido ao facto de exercer a minha profissão no sector dos transportes públicos numa empresa do sector empresarial do Estado, passo grande parte do meu dia a viajar e a contactar com pessoas.
Uma das coisas que mais me aborrecem é a falta de civismo que existe no nosso país.

São pessoas a atravessar a estrada com a passadeira a menos de 10 metros; são veículos a não respeitarem a sinalização luminosa, vertical e horizontal; são as filas em segundo lugar, carros mal parqueados e a ocupar dois estacionamentos; são os “borlistas” a passarem nos canais do metro que atropelam quem paga e usufrui legitimamente do seu título de transporte; são os lugares reservados a grávidas e pessoas menos capacitadas ocupados por gente sem o mínimo sentido cívico; é o lixo que existe e que todos contribuem para aumentar, ao deitar o lixo para o chão, com papeleiras muitas vezes logo ali tão perto; é o fumo do tabaco ( e eu sou o que se chama um fumador social...) que somos obrigados a inalar mesmo quando não fumamos ou pior ainda se não formos fumadores; É o desrespeito pelas filas existentes em qualquer local onde seja necessário a sua existência para controlar o fluxo de gente...

Para depois disto tudo, quando chegamos a casa “levarmos” com vizinhos barulhentos que não respeitam as horas de descanso das pessoas; portas de elevadores abertas inadvertidamente ou talvez mesmo voluntariamente; são as obras que se fazem de melhoramento das casas sem aviso ou consulta prévia para a realização das mesmas e ainda pior em horários desadequados ás mesmas; são as roupas estendidas completamente encharcadas e que molham as que estão andares abaixo...

Uff!
Que até estou cansado de mencionar estas situações com que quase diariamente me deparo e que me retiram alguma da minha qualidade de vida, tal a quantidade de vezes que me enervo por “sofrer” com elas.

Posso nem sempre ser uma pessoa cívica ( pois nem sempre a paciência existe para tal), mas sou uma pessoa civilizada e que respeita o espaço e liberdade dos outros.
Mas ultimamente a minha sensatez começa a fraquejar tal a inexistência de paciência e vontade de “levar” com estas situações.
Não sei se o melhor (não será com certeza!) seguir aquela máxima “se não podes com eles, junta-te a eles”...

Pois se não agirmos todos correctamente e civilizadamente, não progrediremos como cidadãos de um país ( nem ele progredirá) nem evoluiremos como Seres Humanos!

27 comentários:

J.G. disse...

São já gerações de falta de uma correcta política de educação cívica, meu amigo.
E perante essa falta, muitos de nós, no dia-a-dia, preferimos encolher os ombros a chamar á pedra os incivilizados. É cómodo ficar a olhar e a abanar a cabeça em sinal de reprovação.
essa educação para o civismo começa em casa, de onde os pais estão ausentes a maior parte do dia, e como já não há avós a transmitir esses valores...

Sou professor e sei do que falo. Todas as semanas disponho de 40 minutos(!) para ensinar regras básicas de comportamento aos meus alunos.
É o que o Estado me concede especificamente para esse fim.

Não se caia na tentação, pois, e mais uma vez, de se atacar a escola pública.
São a política educacional do país e os seus máximos responsáveis que têm falhado rotundamente nos últimos 30 ou 40 anos!
E não me venham dizer que é assim em todo o lado, porque não é!

Um abraço.

NuNo_R disse...

bOAS J.G...

Já algures neste blog no post:
http://oprofano.blogspot.com/2007/04/os-homens-e-mulheres-de-amanh.html
expus a minha opinião quanto à educação.
Depende dos pais a educação de base e a escola complementar a educação atraves de uma correcta formação tanto cultural como cívica.
Mas o papel primordial depende somente dos pais.

abr...prof...

quintarantino disse...

Subscrevo por baixo.

quintarantino disse...

Subscrevo. Simplesmente.

NuNo_R disse...

bOas quintarantino...

Agradeço o coment e a visita.


abr...prof...

sniqper ® disse...

Grande verdade amigo...
Parece, direi tenho a certeza que esta gente, ou boa parte dela anda com a máxima de "Salve-se quem puder...", coitados de nós que os temos de aturar, já não basta levar com os outros, esses que nos atropelam os bolsos, a dignidade e a felicidade...
Isto está a ficar bonito está...

António de Almeida disse...

-Somos latinos, não sei a razão porque resolveu escrever hoje sobre este tema, talvez por um estudo publicado ontem, que nos coloca como um dos povos da europa mais incivilizados, apesar de tudo ultrapassados pelos franceses. No entanto isto não é questão duma classe social, pois o referido estudo indica que os diplomatas portugueses, são entre os diplomatas, os mais multados por infrações de trânsito. Os franceses dominam na arrogância. Mas há mais, neste particular, longe de estarmos sós!

NuNo_R disse...

bOAS sniqper...


As vezes tenho essa ideia do "salve-se quem puder" de tantas as vezes que me ando a "passar dos carretos"...
Pois já não basta "eses" em que falas quanto mais com os que temos de conviver diariamente...

Parece que isto está a ficar entregue aos bichos...


abr...prof...

NuNo_R disse...

bOAs antónio...

Desconhecia e desconheço tal relatório, mas acredito piamente nessa conclusão.

Já andava a preparar este post á já algum tempo e como já estava preparado e esta semana pouco tempo tive para escrever devido aos meus compromissos profissionais, e para não deixar estar sem postar algo durante este tempo que passou, aproveitei e publiquei este que seri para por no fim-de-semana.

Mas se apareceu tal relatório, então posso classificar como oportuno este post.
Bem isto é, oportuno é ele sempre, tal a quantidade de vezes que na nossa vida nos deparamos com estas situações...

abr...prof...

JOY disse...

Olá Nuno,
Oportunissimo este post,passamos o dia a aturar animais que estavam bem era a viverem sozinhos num sitio qualquer para que não os tivésemos de aturar, como podemos mudar a situação ? Ensinando os nossos filhos a viver em sociadade e a ter respeito pelos outros ,que é o que tento fazer para que no futuro as coisas sejam diferentes porque no momento actual não me parece que as coisas se alterem .

Um abraço
JOY

NuNo_R disse...

bOas joy...

E se os nossos filhos apreenderem correctamente os nossos ensinamentos e os practicarem, de certeza que serão pessoas melhores e mais "evoluidas"...´

abr...prof...

R. da Cunha disse...

O post levanta um aspecto da nossa convivência social que, não sendo novo, merece ser revisitado. Só nunca entendi uma coisa: todos nos queixamos; é sempre o outro que não se comporta como dizem as regras. Afinal quem cumpre? Isto é um dilema: eu cumpro, você(s) diz(em) que cumpre(m) e assim sucessivamente... Mas que há muito a alterar no nosso comportamento, lá isso há. Veja-se o sempre citado comportamento na estrada. Quem atira a primeira pedra? Conheço alguns outros países e há diferenças substanciais entre eles. Os latinos são mais permissivos que os anglo-saxões, mas não se pode generalizar. Vai muito do berço, dos pais, dos profesores (se tivessem as devidas condições, o que raramente se verifica). O Poder (local e central) também descura um pouco a "educação" das pessoas. Veja-se o sempre citado exemplo da Expo/98: não havia lixo, nem sequer beatas pelo chão. Havia recipientes e avisos e NÓS cumprimos as regras elementares.

NuNo_R disse...

bOas r.da cunha...

Gostei de ter frisado o exemplo da Expo.
Smepre que passamos por um local limpo e asseado, por norma tentamos mantê-lo assim; mas basta ás vezes haver pelo menos um papel no chão ou até uma beata para de seguida menosprezarmos a limpeza desse local e de seguida atirarmos para o chão qualquer coisa sem nos preocuparmos com isso.( falando num sentido lato...)

Inclusivé temos como exemplo a facto de sempre que nos cruzamos com alguém num local apertado, a maioria das vezes ( pelo menos eu assim faço) damos a prioridade de passagem à outra pessoa, mas quando estamos atrás de um volante a nossa atitude é quase sempre o inverso, pressionamos e pressionamos até um ter de ceder e "perder" a disputa ( para ser sincero com voçês, ás vezes sou assim... o que vale é que não é sempre) e deixar passar o outro.

Mas como já salientaram nesta caixa de coments, essa atitude provém um pouco da nossa "latinidade", mas trambém não serve de desculpa, apenas atenua o comportamento.
Penso é que a base dessas atitudes está a "bagagem" que trazemos de casa, desde a nossa infância e da educação que tivemos.
Porque se os exemplos seguidos forem "bons", uma pessoa só terá más atitudes se assim o preferir, logo actua em consciência.
Eu posso orgulhar-me de ter tido uma excelente educação e ter tido uns pais que me "obrigavam" a ser educado e bem comportado, e agradeço hoje em dia a educação e as atitudes que tiveram por vezes incompreendidas por mim, para eu chegar ao que sou hoje como pessoa.
Pois também a vida que levei "fora do ninho" me possibilitou uma formação melhor do meu caracter( passei grande parte da minha ainda curta existência na noite, e quem vive na noite sabe do que falo e das experiências que "obrigatoriamente" se passam...).

Mas continuando, se a formação caseira for negativa, os "putos" quando crescerem não terão os valores que se consideram correctos e seguirão outros que nada interessam, muitas vezes auto-marginalizando-se e envolvendo-se com "gente pouco aceitavel" para as suas idades e educação...
E neste contexto cabe depois às várias organizações que pertencem á area da educação, sejam escolas ou ONGs tomar conta destes casos, para que se possam recuperar estes jovens que têm fracos valores morais, éticos e sociais.

abr...prof...

LopesCa disse...

Concordo.
Também tenho escrito sobre o assunto e infelizmente ainda tenho muito a dizer :(

bjecas disse...

Faço minhas as tuas letras.

\m/

NuNo_R disse...

Olá lopesca...

Este é um assunto que muita tinta fará correr no nosso "livro da vida"... ;)

Não se conseguirão mudar mentalidades tão depressa e muitas das vezes penso que inclusivé as pessoas não se preocupam.
Como olham somente para a sua barrigam, não seimportam se incomodam os outros ou não.

bjs

abr...prof...

NuNo_R disse...

BoAS BJECAS...

Agradeço a visita e empatia sobre o assunto...


abr...prof...

Tiago R Cardoso disse...

Uma excelente descrição deste nosso civilizado país e das suas "avançadas" mentalidades.

NuNo_R disse...

BOas tiago...

Antes preferia não ter motivos para o escrever ;)...

Era bom sinal...


abr...prof...

David Alves disse...

"Que até estou cansado de mencionar estas situações com que quase diariamente me deparo"

E quantas mais existiriam para referir...

Quintanilha disse...

Não é por mero acaso que o país está no estado em que todos o conhecemos!

NuNo_R disse...

BoaS david...

São tantas que se calhar a caixa de postagem não teria tamanho para as mencionar... :)


abr...prof...

NuNo_R disse...

BoAS quintanilha...

É de facto devido a estes comportamentos que estamos como estamos; mais atrasados e incivilizados que outros povos que têm menos recursos que nós...


abr...prof...

SILÊNCIO CULPADO disse...

A mim também me aflige a falta de civismo. É algo que agride permanentemente a nossa relação com o meio ambiente e quebra a nossa harmonia interior. Mas tudo isso tem a ver com causas sociais muito mais profundas que se agravam com governos que não se preocupam em as resolver.

NuNo_R disse...

Olá silêncio...

Como dizes que depende dos governos que se deveriam preocupar mais com as causas sociais; concordo com isso.
Mas penso que a educação e cultura que temos é o fundamental para sabermo-nos comportar no meio onde nos encontramos.
Pois se não tivermos bases, e os nossos pais não nos dessem educação e formação correcta, o que seria de nós?

Por isso sempre afirmei que o principal começa em casa e na educação que os pais ( ou responsaveis pelas crianças) devem dar...


bjs

C Valente disse...

A falta de civismo deve-se sim á falta de educação, sem esta não existe civismo, cada vez a rebaldaria é um facto e o Estado tambem dá uma ajuda neste ponto, veja-se a pontualidade, a assiduidade dna escola, e como era habito se dizer de pequenino...
Saudações amigas

NuNo_R disse...

BoAS C_valente...

é isso mesmo, a falta de civismo existe somente porque as pessoas são mal educadas e não se preocupam com os outros, pensando somente no seu bem estar.

Quanto à pontualidade/assiduidade cabe a mesma exclusivemente aos pais darem bons exemplos aos seus filhos e que acima de tudo lhes demonstrem que irem à escola lhes faz falta para a sua formação e educação e que a pontualidade é um dever de toda a gente.
Somente assi se educa correctamente as crianças, mostrando-lhe os valores correctos a serem seguidos...

abr...prof...